A carreira liquida é uma adaptação contínua e não uma construção fixa

Zygmunt Bauman descreve a modernidade liquida como um contexto em que as estruturas que antes ofereciam segurança se tornaram totalmente instáveis.

Inclusive instituições, carreiras e papéis profissionais.

Nada foi feito para durar muito tempo.

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Nesse contexto, a carreira deixa de ser um caminho previsível de construção e passa a exigir adaptação contínua.

Essa adaptação, porém, não significa improviso permanente nem submissão às pressões do mercado.

Aqui entram os pensamentos de Carl Rogers, que ajudam a compreender como as pessoas conseguem se adaptar sem se perder.

Para Rogers, a adaptação saudável acontece quando há congruência (coerência entre experiência interna, valores e ação), permitindo responder à situação presente de forma consciente, e não reagir automaticamente ao medo, ao hábito ou à defesa.

O problema da carreira contemporânea não é a mudança em si.

É a necessidade constante de mudar sem se ter clareza, critérios e desconectado de si mesmo.

Quando tudo é provisório, cresce a ansiedade, o medo de substituibilidade e o cansaço de estar sempre “correndo atrás”.

A leitura conjunta de Bauman e Rogers aponta que, nesse cenário, a segurança não vem mais de estruturas externas, mas da construção de estrutura interna: autoconhecimento, senso de valor, capacidade de explicar impacto e critérios conscientes para decidir onde investir tempo, energia e atenção.

Num mundo líquido, adaptar-se sem perder a própria coerência é o que transforma a carreira de uma sequência de reações defensivas em um processo de escolhas conscientes e direcionadas.

Carreira Liquida

Referências

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

BAUMAN, Zygmunt. Vida líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

ROGERS, Carl R. Um jeito de ser. São Paulo: EPU, 1983.

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