Dentro dos vários ataques de haters que sofro na internet, uma prática que tem se tornado mais frequente é o preconceito linguístico.
O preconceito linguístico acontece quando a forma como alguém fala — seja pelo sotaque, por variações regionais ou até por desvios da norma-padrão — é usada para inferiorizar ou humilhar outra pessoa.
Essa é uma ação problemática justamente porque não discute a ideia nem a validade do que está sendo dito.
Em vez disso, tenta desqualificar quem fala, sugerindo que a pessoa é inferior apenas porque não se expressou de forma erudita, mesmo quando a mensagem foi claramente compreendida.
Eu gravo meus vídeos a partir de uma lista de pontos e falo de forma aberta, sem roteiro fechado.
Isso, às vezes, me leva a conjugar verbos de forma inadequada, trocar palavras, usar uma fonética estranha ou até criar uma palavra que não existe — resultado da mistura de pensamentos frenética na minha mente que a fala não consegue acompanhar na mesma velocidade.
Isso sempre foi algo corriqueiro para mim e nunca me incomodou, até porque a ideia costuma ser compreendida por quem está genuinamente interessado e encontra valor no conteúdo.
E no mais falar em público, especialmente sem um roteiro fechado, é um ato de improviso.
Você pensa, organiza e comunica em tempo real — e, nesse processo, erros podem acontecer.
Esse, inclusive, foi o meu caso.
Rir disso é uma forma clássica de tentar usar a vergonha como instrumento de controle. Porque o problema não é a frase em si, mas a escolha e a ousadia de aparecer.
Aliás, isso alimenta também muito do medo que temos de nos expor, o que muitas vezes até adia nosso crescimento profissional.
O tal medo de falar em público ou de se posicionar em uma reunião de trabalho.
Mas talvez seja aí que entre a coragem sobre a qual Brené Brown tanto fala, especialmente em A Coragem de Ser Imperfeito.
Meu perfil é aberto, meu rosto está exposto e minhas ideias estão disponíveis.
Agora, saber lidar com esse tipo de ataque, preservando a saúde mental e emocional, é o verdadeiro desafio.
No meu caso, hoje eu prefiro bloquear essas pessoas.
Afinal, não existe ganho mútuo em uma relação em que alguém tenta menosprezar o outro, muitas vezes escondido atrás de um perfil fechado, oculto ou falso.
Então, eu prefiro seguir assim, com a coragem que me é possível, registrando minhas reflexões — como muitos fazem — enquanto outros preferem apenas criticar.
Até porque, com diriam os bons poetas:
De tanto levar frechada do teu olhar
Meu peito até parece sabe o quê?
Táubua de tiro ao Álvaro
E que a gente consiga ser feliz.
Referências
ROWN, Brené. A coragem de ser imperfeito: como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2013.



