Comportamentos DDG: Três atalhos mentais que moldam sua carreira

Os comportamentos DDG (Deleção, Distorção e Generalização) explicam porque algumas das nossas decisões podem vir baseadas em visões equivocadas.

Isso acontece pela forma natural que nossa mente funciona e dos mecanismos automáticos que ela criou para conseguirmos lidar com as complexidades da vida.

Afinal, se tivéssemos que gastar a mesma energia para compreender cada pequeno acontecimento do cotidiano, não conseguiríamos sobreviver nem a um dia.

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Com esses atalhos, nosso cérebro toma decisões com quase nenhum gasto energético e mantém a maior parte da energia para o que for considerado realmente importante.

O problema começa quando esses atalhos assumem o volante sem que a gente perceba.

Por isso, conhecer esses mecanismos é importante.

Assim, podemos gerenciá-los para tirar deles o melhor proveito, ou seja, deixar no automático o que for possível, mas barrar esse ciclo quando for necessário.

Comportamentos DDG Deleção Distorção Generalização

1. Deleção: quando você se foca em apenas parte da história

A deleção acontece quando o cérebro seleciona o que vai entrar no campo de atenção e ignora o resto.

Isso é essencial para nosso funcionamento no dia a dia, afinal, sem isso a gente travaria diante do excesso de estímulos que recebemos diariamente.

O lado bom é que conseguimos manter o foco, a agilidade e a capacidade de priorizar com esse comportamento automático.

Mas o risco surge quando isso começa a direcionar toda a visão de maneira indiscriminada.

Uma forma de gerenciar isso é:

  • Perguntar “O que posso estar deixando de fora?”.
  • Buscar padrões, não só episódios isolados.
  • Registrar fatos antes de julgamentos.

2. Distorção: quando um fato é adulterado para caber em uma crença

A distorção acontece quando o cérebro altera o significado do que aconteceu com base em crenças, emoções e experiências passadas.

O evento é neutro, mas a história que a gente conta sobre ele não é.

O lado bom disso é que assim conseguimos dar sentido às experiências, aprendemos mais rapidamente e temos mais facilidade em cenários incertos.

Mas o risco é quando a gente começa a fazer interpretações reativas e negativas sem questionar se nosso piloto automático não está “viciado”.

Uma forma de gerenciar isso é:

  • Separar fato de interpretação.
  • Testar as conclusões antes de reagir.
  • Usar perguntas em vez de suposições.

Exemplos simples: “Quando você disse isso, quis dizer o quê exatamente?”, ou ainda, “Quando você disse isso, eu entendi isso e isso, meu entendimento está correto?”.

3. Generalização: quando uma única experiência vira regra geral

A generalização surge quando o cérebro transforma uma experiência específica em uma regra universal.

É um bom mecanismo de aprendizado, mas sem revisão pode virar um limitador brutal.

O lado bom é que nos ajuda a evitar a repetição de erros, cria atalhos rápidos para tomarmos decisões e nos protege emocionalmente.

Porém, o risco surge quando isso nos leva a evitar coisas novas por crenças que não questionamos, usamos mais rótulos do que mente aberta ou nos limitamos a pensar que as coisas serão sempre de um jeito específico.

Uma forma de gerenciar isso é:

  • Trocar “sempre” e “nunca” por “em quais condições?”.
  • Diferenciar contextos, momentos e pessoas.
  • Usar generalizações como hipóteses, não como verdades.

Dessa forma, quando:

  • Percebemos o que estamos deletando,
  • questionamos o que estamos distorcendo,
  • e revisamos o que estamos generalizando,

Paramos de lutar contra fantasmas e começamos a lidar com a realidade como ela é.

E isso, no longo prazo, é o que vai nos permitir trabalhar melhor, pensar menos e crescer com mais consistência e leveza.

Então, mantenha sua mente atenta aos comportamentos DDG para gerenciá-los da melhor forma para você.

Referências

BANDLER, Richard; GRINDER, John. A estrutura da magia: um livro sobre linguagem e terapia. São Paulo: Summus, 1975.

KAHNEMAN, Daniel. Rápido e devagar: duas formas de pensar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

LAKOFF, George; JOHNSON, Mark. Metáforas da vida cotidiana. Campinas: Mercado de Letras, 2002.

DAMASIO, António. O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

ARIELY, Dan. Previsivelmente irracional: as forças ocultas que formam nossas decisões. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

WEICK, Karl E. Sensemaking in organizations. Thousand Oaks: Sage Publications, 1995.

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