Os comportamentos DDG (Deleção, Distorção e Generalização) explicam porque algumas das nossas decisões podem vir baseadas em visões equivocadas.
Isso acontece pela forma natural que nossa mente funciona e dos mecanismos automáticos que ela criou para conseguirmos lidar com as complexidades da vida.
Afinal, se tivéssemos que gastar a mesma energia para compreender cada pequeno acontecimento do cotidiano, não conseguiríamos sobreviver nem a um dia.
Com esses atalhos, nosso cérebro toma decisões com quase nenhum gasto energético e mantém a maior parte da energia para o que for considerado realmente importante.
O problema começa quando esses atalhos assumem o volante sem que a gente perceba.
Por isso, conhecer esses mecanismos é importante.
Assim, podemos gerenciá-los para tirar deles o melhor proveito, ou seja, deixar no automático o que for possível, mas barrar esse ciclo quando for necessário.

1. Deleção: quando você se foca em apenas parte da história
A deleção acontece quando o cérebro seleciona o que vai entrar no campo de atenção e ignora o resto.
Isso é essencial para nosso funcionamento no dia a dia, afinal, sem isso a gente travaria diante do excesso de estímulos que recebemos diariamente.
O lado bom é que conseguimos manter o foco, a agilidade e a capacidade de priorizar com esse comportamento automático.
Mas o risco surge quando isso começa a direcionar toda a visão de maneira indiscriminada.
Uma forma de gerenciar isso é:
- Perguntar “O que posso estar deixando de fora?”.
- Buscar padrões, não só episódios isolados.
- Registrar fatos antes de julgamentos.
2. Distorção: quando um fato é adulterado para caber em uma crença
A distorção acontece quando o cérebro altera o significado do que aconteceu com base em crenças, emoções e experiências passadas.
O evento é neutro, mas a história que a gente conta sobre ele não é.
O lado bom disso é que assim conseguimos dar sentido às experiências, aprendemos mais rapidamente e temos mais facilidade em cenários incertos.
Mas o risco é quando a gente começa a fazer interpretações reativas e negativas sem questionar se nosso piloto automático não está “viciado”.
Uma forma de gerenciar isso é:
- Separar fato de interpretação.
- Testar as conclusões antes de reagir.
- Usar perguntas em vez de suposições.
Exemplos simples: “Quando você disse isso, quis dizer o quê exatamente?”, ou ainda, “Quando você disse isso, eu entendi isso e isso, meu entendimento está correto?”.
3. Generalização: quando uma única experiência vira regra geral
A generalização surge quando o cérebro transforma uma experiência específica em uma regra universal.
É um bom mecanismo de aprendizado, mas sem revisão pode virar um limitador brutal.
O lado bom é que nos ajuda a evitar a repetição de erros, cria atalhos rápidos para tomarmos decisões e nos protege emocionalmente.
Porém, o risco surge quando isso nos leva a evitar coisas novas por crenças que não questionamos, usamos mais rótulos do que mente aberta ou nos limitamos a pensar que as coisas serão sempre de um jeito específico.
Uma forma de gerenciar isso é:
- Trocar “sempre” e “nunca” por “em quais condições?”.
- Diferenciar contextos, momentos e pessoas.
- Usar generalizações como hipóteses, não como verdades.
Dessa forma, quando:
- Percebemos o que estamos deletando,
- questionamos o que estamos distorcendo,
- e revisamos o que estamos generalizando,
Paramos de lutar contra fantasmas e começamos a lidar com a realidade como ela é.
E isso, no longo prazo, é o que vai nos permitir trabalhar melhor, pensar menos e crescer com mais consistência e leveza.
Então, mantenha sua mente atenta aos comportamentos DDG para gerenciá-los da melhor forma para você.
Referências
BANDLER, Richard; GRINDER, John. A estrutura da magia: um livro sobre linguagem e terapia. São Paulo: Summus, 1975.
KAHNEMAN, Daniel. Rápido e devagar: duas formas de pensar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
LAKOFF, George; JOHNSON, Mark. Metáforas da vida cotidiana. Campinas: Mercado de Letras, 2002.
DAMASIO, António. O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
ARIELY, Dan. Previsivelmente irracional: as forças ocultas que formam nossas decisões. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
WEICK, Karl E. Sensemaking in organizations. Thousand Oaks: Sage Publications, 1995.



