Comunicação e narrativa dizem respeito à capacidade de organizar ideias, torná-las compreensíveis e construir sentido compartilhado em contextos de trabalho.
Não se trata apenas de falar bem ou escrever corretamente, mas de estruturar mensagens de forma que elas ajudem pessoas a entender problemas, tomar decisões e agir de maneira coordenada.
Em ambientes organizacionais complexos, a qualidade da comunicação influencia diretamente a qualidade das decisões.
Quando essa competência é frágil, surgem ruídos, interpretações equivocadas, retrabalho e conflitos desnecessários.
Quando é bem desenvolvida, a comunicação passa a funcionar como um mecanismo de alinhamento, clareza e eficiência coletiva.
A seguir, são apresentados alguns tópicos centrais que compõem a comunicação e a narrativa no trabalho, junto de ideias práticas para desenvolvê-los no dia a dia.
Dar e receber feedback de forma construtiva
Feedback é uma forma de comunicação orientada a aprendizado e ajuste de comportamento.
Quando malconduzido, gera defensividade e desgaste.
Quando bem trabalhado, fortalece relações e melhora a qualidade do trabalho.
Dar e receber feedback de forma construtiva envolve foco em comportamentos observáveis e em aprendizado, não em julgamentos pessoais.
Para desenvolver esse tópico, vale atenção a algumas práticas.

Usar exemplos concretos ao dar feedback
Exemplos específicos ajudam a tornar o feedback compreensível e acionável, reduzindo ambiguidades.
Solicitar feedback específico após entregas importantes
Pedir feedback direcionado ajuda a obter informações úteis e evita avaliações genéricas.
Registrar aprendizados recorrentes a partir dos feedbacks
Registrar padrões percebidos ao longo do tempo ajuda a transformar feedback pontual em aprendizado contínuo.
Encerrar conversas com alinhamentos e próximos passos
Encerrar conversas de forma adequada é parte essencial da comunicação eficaz.
Muitas conversas falham não pelo que foi discutido, mas pelo que ficou implícito ou mal definido ao final.
Quando não há fechamento claro, decisões ficam abertas à interpretação e o trabalho perde continuidade.
Encerrar conversas com alinhamentos significa garantir entendimento comum sobre o que foi decidido, o que não foi decidido e quais são os próximos passos acordados.
Para desenvolver esse tópico, vale atenção a algumas práticas.

Resumir decisões e acordos ao final de reuniões
Retomar verbalmente os principais pontos decididos ajuda a confirmar entendimento e evita leituras divergentes.
Esse resumo funciona como um momento de checagem coletiva antes de avançar.
Definir responsáveis e prazos claros para cada próximo passo
Alinhamento sem responsabilidade definida gera inércia.
Tornar explícito quem faz o quê e até quando dá previsibilidade ao trabalho e reduz cobranças informais futuras.
Enviar um registro curto pós-reunião com os alinhamentos
Um registro simples, mesmo que breve, cria memória compartilhada e reduz disputas de interpretação ao longo do tempo.
Um registro simples, mesmo que breve, cria memória compartilhada e reduz disputas de interpretação ao longo do tempo.
Estruturar apresentações e mensagens objetivas
Mensagens objetivas não são mensagens superficiais.
São mensagens organizadas a partir de um propósito claro.
Objetividade nasce da escolha consciente do que comunicar e do que deixar de fora.
Sem estrutura, apresentações tendem a acumular informações desconectadas, dificultando a compreensão e a tomada de decisão.
Para desenvolver esse tópico, vale atenção a algumas práticas.

Definir a mensagem principal antes de montar o material
Antes de criar slides ou textos, é importante responder qual é a ideia central que precisa ser compreendida.
Esse foco orienta toda a construção da mensagem.
Organizar o conteúdo em problema, solução e impacto
Essa estrutura ajuda quem recebe a mensagem a entender por que o tema importa, o que está sendo proposto e quais consequências estão associadas.
Testar clareza pedindo para alguém resumir a apresentação
Pedir que outra pessoa resuma a mensagem é uma forma prática de testar se a comunicação está clara e coerente.
Explicar ideias com clareza e acurácia
Explicar ideias com clareza envolve ajustar o nível de detalhe e a linguagem ao contexto e ao interlocutor.
Clareza não é simplificação excessiva, mas precisão no uso de conceitos e exemplos.
Quando explicações são vagas ou abstratas demais, diferentes interpretações surgem e decisões se fragilizam.
Para desenvolver esse tópico, vale atenção a algumas práticas.

Adaptar explicações ao nível de conhecimento do interlocutor
Pessoas diferentes possuem repertórios distintos.
Ajustar a explicação ao público evita excesso de detalhe ou lacunas de entendimento.
Usar exemplos concretos para reduzir abstração
Exemplos ajudam a traduzir conceitos abstratos em situações compreensíveis e próximas da realidade de quem escuta.
Confirmar entendimento pedindo retorno ou síntese
Pedir que a outra pessoa retome o que foi entendido ajuda a identificar ruídos antes que eles se tornem problemas maiores.
Profissionais que desenvolvem comunicação e narrativa conseguem explicar melhor suas decisões, reduzir ruído no trabalho e contribuir de forma mais clara em contextos coletivos.
Essas competências ampliam a confiança de pares e lideranças e facilitam a participação em decisões mais estratégicas.
Referências
ARISTÓTELES. Retórica. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
DENNING, Stephen. The leader’s guide to storytelling. San Francisco: Jossey-Bass, 2011.
HEATH, Chip; HEATH, Dan. Ideias que colam. Rio de Janeiro: Alta Books, 2010.
STONE, Douglas; HEEN, Sheila. Thanks for the feedback. New York: Viking, 2014.



