Trabalhar com digital às vezes me deixa exausto e tudo que eu sinto é vontade de sair correndo ou dormir por 80 horas seguidas.
Talvez poucas pessoas falem sobre isso no mundo mágico de lançamentos milionários, onde cada vídeo gravado possibilita comprar um carro luxuoso do ano.
Porém, assim como no mundo do futebol, costuma ser um jogador comprando um carro do ano frente a milhares de jogadores fazendo um equilíbrio angustiante para conseguir pagar as contas do mês e se manter no jogo.
Essas últimas semanas minhas redes sociais foram invadidas por mestres e gurus da internet prometendo riquezas fáceis para qualquer um que deseje se aventurar no mundo digital, o que torna esse cansaço ainda mais agudo.
E tudo é fácil porque eles têm o segredo do Ali Baba para abrir a caverna dos tesouros escondidos, resumindo o sucesso a um “copy” adequado com o título matador: “abre-te sésamo”.
Sabemos que isso é parte do discurso de venda da nova religião: enriquecer sem esforço.
Aliás, isso foi bem explorado por Philipp Lichterbeck no artigo “A revolução dos estúpidos” para a DW Brasil.
E se o enriquecimento pessoal sem esforço e sem conhecimento é a nova religião, o marketing digital é a sua igreja.
Tudo parece tão fácil e simples que faria qualquer pessoa que não alcance o primeiro milhão na primeira semana que trabalhar com digital se sentir um verdadeiro fracasso.
Bom, deixa eu contar um outro lado dessa história.
Trabalhar com digital pode ser muito exaustivo.
São horas, dias, meses ou anos se dedicando e nem sempre alcançando resultados sequer necessários para continuar.
Ninguém vê a concretização do trabalho digital, afinal, ao contrário de um prédio, nosso trabalho não é facilmente visível e muita coisa fica nos bastidores.
Eu passo horas do meu dia trabalhando para melhorar a estrutura e a experiência dos meus produtos, reduzir o tempo de carregamento das páginas web, corrigindo bugs que só os deuses sabem de onde vêm e lidando com haters, sabichões e golpistas que aparecem todo santo dia.
E ainda preciso estudar porque os buscadores não acham meu site, gerenciar anúncios, lidar com softwares que param de funcionar e produzir novos conteúdos interessantes, instigantes e relevantes.
Além disso, analisar métricas, lidar emocionalmente com os muitos flops, críticas e ofensas mantendo a cabeça fria para estabelecer novos planos de ação que talvez possam melhorar os resultados da próxima semana.
Então, trabalhar com digital pode sim ser muito exaustivo e sem nenhum glamour como o que vemos nos gurus da internet.
E sem tentar trazer qualquer acalanto nessa análise, finalizo com uma máxima importante sobre ficar rico:
Só existem três maneiras de se ficar rico: herança, crime ou sorte.
E que venham os haters, sabichões e golpistas mais uma vez.
Referências
A revolução dos estúpidos. Philipp Lichterbeck. DW Brasil. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/a-revolu%C3%A7%C3%A3o-dos-est%C3%BApidos/a-70425753>. Acesso no dia da postagem.